Organização de Redes Associativas de Negócios Solidários (RANS) em Municípios do Entorno da Flona Araripe/CE
Organização de Redes Associativas de Negócios Solidários (RANS) em Municípios do Entorno da Flona Araripe/CE
RESUMO
O Projeto RANS do Pequi: Organização de Redes Associativas de Negócios Solidários (RANS), em municípios do entorno da FLONA ARARIPE/CE, apresenta como objetivo maior promover a organização de comunidades extrativistas, em Redes Associativas de Negócios Solidários e comércio justo de forma autogestionária, tendo em vista o fortalecimento da cadeia produtiva do pequi.
Dentre os principais problemas, que têm impedido um desenvolvimento maior da cadeia produtiva do pequi, na biorregião do Araripe, podem ser destacadas as dificuldades de comercialização do fruto por um preço mais elevado, no período de "pique" da safra; a comercialização dos óleos produzidos, em razão da sua má qualidade e a desorganização das comunidades coletadoras, em razão da falta de capacitação e acompanhamento mais continuado.
As principais ações previstas envolvem: a) capacitações, beneficiando comunidades coletadoras e formando estudantes/técnicos agrícolas em monitoria para uma atuação mais competente e continuada na cadeia produtiva do pequi; b) implantação de Redes Associativas de Negócios Solidários – RANS do Pequi, implicando numa maior organização das comunidades coletadoras de pequi para o estabelecimento de novas relações comerciais, minimizando a figura do atravessador e garantindo preço de venda do produto padronizado e mais justo; c) pesquisa para a padronização de óleos da polpa e da amêndoa do pequi; e d) ações de divulgação e socialização das atividades e seus resultados.
Como resultados maiores, advindos do desenvolvimento das ações, esperam-se: melhoria na renda dos agricultores (as) familiares coletadores (as); maior nível de organização dos coletadores (as); maior inserção no mercado; desenvolvimento de estratégias de comercialização do produto; mudanças nas relações comerciais do extrativismo do pequi, na região do entorno da FLONA ARARIPE; e agregação de valor ao produto.
1 - OBJETIVOS
1.1-Objetivo Geral
• Prestar assistência técnica qualificada para a organização de comunidades extrativistas do pequi, em Redes Associativas de Negócios Solidários (RANS), através da orientação de estratégias que permitam estabelecer processos sócio-economicamente sustentáveis, na perspectiva de gerar mais renda e oportunidades de trabalho, beneficiando coletadores (as) envolvidos na cadeia produtiva do pequi.
1.2-Objetivos Específicos
- Contribuir para a integração e apropriação de conhecimentos/tecnologias com foco no extrativismo do pequi, no uso ambientalmente sustentável dos recursos naturais, na promoção do desenvolvimento rural sustentável, do espírito solidário e da organização do trabalho associativista/cooperativista.
- Orientar e acompanhar a implantação de quatro (04) Redes Associativas de Negócios Solidários – RANS do Pequi, com foco na comercialização, garantindo o acesso a serviços de assistência técnica e extensão rural continuada, orientando a adoção de tecnologias de melhor aproveitamento do pequi e de 01/cuidados, sobretudo, ambientais.
- Promover estratégias de visibilidade dos resultados alcançados com o Projeto, na perspectiva de sua reaplicação em outras comunidades extrativistas do pequi.
2- PÚBLICOS ALVO
- Técnico (as) Agrícola;
- Agricultores (as) Familiares Agroextrativistas.
3 - JUSTIFICATIVA
A espécie do pequi (Caryocar coriaceum) é a única representante da família Caryocaraceae com maior incidência na Biorregião do Araripe, no Sul estado do Ceará, região do Cariri e sertões vizinhos de Pernambuco e Piauí. O fruto constitui-se um importante recurso alimentar, além de fonte alimentícia, o óleo extraído artesanalmente da polpa é amplamente utilizado na medicina popular, principalmente em infecções do trato respiratório, contra dores musculares e artrite crônica. Faz parte também de diversos preparos farmacêuticos, sendo ainda utilizado para a cura de enfermidades em animais: cortes, contusões, peladuras e inchaços.
Além do uso medicinal, o óleo possui um grande valor nutritivo. Pesquisas comprovaram que, em 100 gramas de óleo são fornecidas 931,1 calorias. As determinações físico-químicas da polpa apresentaram 29,07% de extrato etéreo, 3,86% de proteína, 6,24% de fibra, 12,62% de glicídios totais e, quanto aos minerais, o cálcio 122mg/100g, ferro 3,0mg/100g, fósforo 49,05mg/100g. A relevância nutricional também é evidente na análise dos ácidos graxos, perfazendo um total de 68% de ácidos graxos insaturados, o que é considerado nutricionalmente satisfatório. Dentre esses se destacam o oléico (56,34%), linoleico (5,20%) e o ácido linolênico (4,42%) (LIMA M. T. Caracterização Química e Física do Fruto do Pequizeiro (Caryocar coriaceum Wittm). Dissertação de mestrado, UFC-Fortaleza/Ceará, 1980).
Dentre os principais problemas, que têm impedido um desenvolvimento maior da cadeia do pequi, na biorregião do Araripe, podem ser destacadas as dificuldades de comercialização do fruto por um preço mais elevado, no período de "pique" da safra; dificuldades de comercialização dos óleos produzidos, em razão da sua má qualidade e a desorganização das comunidades coletadoras, em razão da falta de capacitação e de assistência técnica mais continuada por órgãos/instituições competentes e perdas consideráveis do produto por falta de acondicionamento apropriado. Muitos coletadores(as) montam acampamentos improvisados, no entorno da Floresta Nacional do Araripe, sem a mínima estrutura. Muitas crianças e adolescentes são retirados da escola para ajudarem seus pais na coleta do pequi.
A cadeia de mercado do pequi pode ser definida, na sua estrutura, como uma cadeia de muita complexidade, diferentemente de outros produtos não madereiros. Os sujeitos envolvidos são os seguintes:

A implantação de Redes Associativas de Negócios (RANS) do Pequi apresenta-se como uma forma de empreendimento autogestionário, numa perspectiva maior de contribuir para o empoderamento dos agricultores(as) familiares, estabelecendo novas relações comerciais.
Adota-se, no Projeto, o termo Rede Associativa, entendido como uma forma de organização que congrega pessoas para a realização de um empreendimento de geração de trabalho e renda, direcionados para elevar os níveis sócio-econômico e cultural dos indivíduos envolvidos.
Considerando as peculiaridades que envolvem a cadeia do pequi e as atividades desenvolvidas no âmbito do PBBI, em parceria com a SAF/MDA, acredita-se que a implantação de RANS do pequi, nos municípios de maior incidência na região (Crato e jardim), apresenta-se como uma das alternativas de fortalecimento das ações, respondendo de forma mais fetiva aos anseios dos coletadores(as) primários, apresentando como principais vantagens: balizamento de preço, retorno financeiro, condições adequadas de produção, assistência técnica (monitoramento), capacitação, comercialização direta, aumento da capacidade de oferta e sua qualidade, redução de gastos comuns e geração de mais emprego local.
Ressalta-se que as ações propostas no Projeto propiciarão ferramentas ao coletador (a) para melhor enfrentar os desafios inerentes ao processo de gestão a qualquer empreendimento.
- Impactos esperados com a implantação das RANS;
- Melhor distribuição da renda aferida líquida;
- Maior nível de organização dos fornecedores primários;
- Maior preocupação com a preservação do meio ambiente;
- Inclusão de um maior número de famílias fornecedoras;
- Melhoria do nível de vida dos fornecedores primários;
- Mudanças nas relações comerciais na cadeia do pequi.
- Espera-se, assim, uma maior organização da cadeia produtiva do pequi, em municípios de maior incidência (Crato e Jardim), situados no entorno da FLONA ARARIPE, garantindo uma viabilidade sócio-econômico-solidária da atividade e uma maior preservação do meio ambiente. Daí a sua grande relevância como alternativa sustentável local.
4 - NÚMERO DE BENEFICIÁRIOS
Técnico (as) Agrícola..............................................................................25
Agricultores (as) Familiares Agroextrativistas.................................260
5 - RESULTADOS ESPERADOS
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Atividades |
Resultados: benefícios e serviços produzidos verificáveis ao fim do Projeto |
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5.1 |
Reuniões de sensibilização e identificação das comunidades |
- 100 agricultores informados sobre as atividades de RANS |
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5.2 |
Cursos de Capacitação em Educação Rural: Associativismo/Cooperativismo |
- 60 agricultores (as) coletadores (as) de pequi capacitados em educação rural. |
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5.3 |
Curso de Capacitação em Monitoria Continuada de Redes Associativas de Negócios Solidários –RANS |
- 25 técnicos agrícolas capacitados em monitoria de Redes Associativas de Negócios Solidários |
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5.4 |
Curso de Capacitação em Tecnologia de Extração de Óleos de Pequi a Frio |
- 60 agricultores(as) capacitados sem tecnologia de extração de óleos de pequi. |
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5.5 |
Visitas técnicas sobre elaboração de plano de negócios, gestão cooperada, implantação de RANS, controle de produção, reaplicação de tecnologias (aproveitamento do pequi), comercialização, planejamento etc. Para 25 agricultores familiares. |
- 200 agricultores visitados para receberem orientações em implantação, e gestão de RANS. |
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5.6 |
- Visitas técnicas sobre uso de métodos de extração de óleos de pequi a frio. |
- 100 agricultores visitados para obterem o acesso e domínio de técnicas de extração de óleos de pequi. |
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5.7 |
Seminário: Experiências de RANS do Pequi no entorno da FLONA ARARIPE, envolvendo beneficiários, parceiros, universidades e outras instituições locais. |
- 60 participantes (30 agricultores(as) beneficiários e 30 pessoas convidadas), informadas sobre resultados do Projeto. |
6 - PRAZO DE EXECUÇÃO
Janeiro/2009 á Dezembro de 2009
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